segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Hoje é dia de...Químio!

Primeiro dia do quarto ciclo. Não é o dia mais agradável mas é, provavelmente, o mais certo, o mais previsível. Não há que ter medo deste dia. É chegar cá, tirar sangue para análise, ir às consultas e, por fim, hospital de dia. Ser picada não é nada do outro mundo, nunca foi coisa que me custasse. E por isso a químio não custa muito. Hoje ainda menos, já vi que vou ter direito a uma cama!

Hoje sinto-me muito bem disposta. Mais uma vez, dei uma folga à minha mãe e vim acompanhada das minhas amigas. Como é Carnaval, deu-nos para adotar nomes fictícios (entre outras coisas). Para já, estamos 3, eu, a Sheila e a Natasha. Daqui a pouco a Janete, que despega às 14h, junta-se à trupe para um almoço de gajas. Só tenho spa às 15.30h - vamos sair daqui a umas horas bonitas - e por isso posso dar-me a estes luxos!

O tratamento está cada vez mais perto do fim. Há luz ao fundo do túnel. De cada vez que entro neste edifício dou um passo nessa direção. Não vejo a hora de me ver livre disto!
Entretanto vou pôr a conversa em dia com as "migas", enquanto esperamos pela consulta com a Dra Ilídia.

Beijos e abraços,
Priscilla

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Dia Mundial da Luta Contra o Cancro






"Para muitos é só mais um dia. Para outros é mais um dia sim, mas de esperança, um dia de luta, um dia de fé, um dia de motivação."


Sendo hoje o Dia Mundial do Cancro, ou da luta contra o cancro, não poderia deixar de falar sobre ele. Confesso que este dia sempre me passou ao lado. Entendia-o como um dia em que era assinalada a doença e se lembravam as pessoas que lutam contra ela, ponto. Hoje, alcancei uma perspectiva completamente diferente da que tinha e, penso eu, que a maioria das pessoas têm. Atrevo-me a dizer que o Dia Mundial do Cancro devia ser como o Natal, todos os dias e quando o Homem quiser. Porquê? Porque hoje é um dia de consciencialização, sensibilização, alerta e intervenção. O objetivo deste dia é atrair as atenções para a doença, mas mais do que isso, para tudo o que está ao nosso alcance fazer por ela. É dia de, concertadamente, encorajar a sociedade, os governos, os profissionais a investir na prevenção, detecção precoce e acessibilidade ao tratamento.

Hoje saiu com o Jornal de Notícias uma pequena revista, a "Onco Atual", que reúne algumas entrevistas e artigos de opinião de especialistas da área. Um desses artigos, elaborado pela presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, aborda o cancro de uma forma global, explorando números e estatísticas relacionados com incidência e mortalidade. A informação contida neste artigo, clara e sucinta, é um abre olhos para o leitor. Por esse motivo, pensei que seria bom partilha-la aqui.

Então cá vai.

Sabiam que...

·   Surgem no mundo 14 milhões de novos casos de cancro por ano? Morrem, todos os anos, cerca de 8 milhões de pessoas vítimas de cancro, sendo que 4 milhões de mortes ocorrem em idade prematura (30-69 anos). Os avanços na tecnologia, que proporciona mais conhecimento sobre a doença e avanços nos tratamentos, duplicaram as taxas de sobrevivência nos últimos 40 anos. No entanto, estima-se que em 2025 as mortes em idade prematura devido ao cancro aumentem para 6 milhões.

·    Em Portugal, o cancro é a segunda maior causa de morte, mas a primeira de mortes prematuras abaixo dos 65 anos?

·    25% dos cancros são evitáveis? Como? Apostando na prevenção primária e secundária.

Passo a explicar:
- A prevenção primária diz respeito ao controlo dos fatores de risco: tabaco, álcool, regime alimentar desequilibrado, sedentarismo, entre outros. Por exemplo, só o tabaco é responsável por 20% dos cancros. Destes 20%, 70% são cancros do pulmão. Outro fator causador de cancro são as infeções virais. O papiloma vírus humano (HPV), um dos agentes responsável pelo cancro do colo do útero, cancro na cavidade oral e orofaringe, causa 20% das mortes por cancro. O álcool e obesidade são também dois fatores de risco de enorme relevância no desenvolvimento de tumores.
- A prevenção secundária, por sua vez, é feita através de rastreio e diagnóstico precoce. 

É urgente um investimento na luta contra o cancro. Um investimento financeiro e ao nível das políticas de saúde que assegurem, em tempo útil, tratamentos de primeira linha a todos os indivíduos e a promoção de rastreios nacionais que permitam que cancros rastreáveis sejam, efetivamente, rastreados. Se isso se traduzir numa intersecção da doença, num tratamento em fase de pré-malignidade, todo o mundo sai a ganhar. É dinheiro que não se gasta e, por isso, justifica o dinheiro que se investe. 

Investir em programas educacionais, aumentar a literacia da população é outra medida urgente. "Só conhecendo o cancro podemos lutar eficazmente contra ele!". Neste ponto, e puxando a brasa à minha sardinha, há muito que defendo que o farmacêutico pode ter um papel importante junto da comunidade, não só na transmissão de conhecimento, na consciencialização, como no auxílio da adoção de estilos de vida saudáveis. 

Por último, é necessário um investimento na investigação científica nacional. Portugal investe muito pouco em ciência... Ao invés, forma muito bons profissionais que acabam por cair no desemprego e na precariedade. E depois exporta-os, sem receber nada em troca. O panorama seria bem diferente se valorizassem e olhassem para a boa ciência que se faz por cá, para as boas cabeças que cá temos, como receita e não como despesa...


Para terminar... Antes de ler a revista tinha pensado partilhar uma crónica do Lobo Antunes que li há uns tempos, em jeito de homenagem a todos os Heróis das salas de quimioterapia. Partilho-a à mesma. É tão real como bonita. 


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Vida suspensa

Já lá vai uma semana desde a última vez que passei por cá... Comecei a sentir uma certa pressão por parte dos "leitores mais assíduos", que, curiosamente, são os meus amigos e familiares mais próximos. Falamos todos ou quase todos os dias mas, ainda assim, comunicar através deste espaço tornou-se imperativo. Desconfio que se deva ao meu problema de expressão... Afinal é mais fácil comunicar através deste teclado, pensar e ponderar as palavras para que exprimam da melhor forma o que vai cá dentro.
Num mês de blog escrevi 19 posts. Dia após dia fui contando as minhas histórias, algumas episódios e peripécias. Confesso ter receio de que as palavras comecem a escassear. Isto de ter cancro é muito "bonito" no início, mas como tudo na vida, converte-se numa rotina. Neste caso numa rotina entediante. 
Decidi, por isso, tirar umas mini férias da Gui versão doente oncológica e cometer umas loucuras à moda das pessoas "normais". Felizmente estou rodeada de pessoas que entendem muito bem esta sede de normalidade e embarcam comigo nestas aventuras... 

A primeira delas foi totalmente programada. Quem me conhece bem sabe que não sou uma entusiasta da sétima arte. Não sei o nome de atores, nem realizadores e não assisti aqueles filmes incontornáveis da história do cinema. Vejo poucas séries e pouca televisão. Não que não goste, apenas tenho uma tendência natural para livros em detrimento de filmes e acabo por ocupar de outra forma o tempo livre que tenho. Mas o fruto proibido é sempre o mais apetecido e agora que estou impedida de ir ao cinema senti uma vontade súbita de ver os grandes candidatos aos Óscares numa tela como deve ser. 

Como estamos em maré de "a Guida quer, a Guida manda", resolveram fazer-me a vontade. A Pi pensou num cinema que ficasse fora de um centro comercial (o que na verdade não teria assim tanta importância tendo em conta o objetivo) e tirou a tarde para satisfazer os desejos aqui da menina. O cinema fora do centro comercial é também ele o cinema mais próximo de Felgueiras e por isso não foi difícil escolher. O cartaz mudou, o que limitou as nossas opções mas a decisão acabou por ser unânime. Tudo a correr bem até ao momento de... comer as pipocas! O raio da máscara não dá jeito nenhum (para além de fazer muito calor) e decidi abdicar dela por uns momentos. Mas que mal faria? Afinal estávamos praticamente sozinhas na sala. Pesou-me na consciência aquela história dos filtros do ar condicionado e, pelo sim, pelo não, lá a pus. Foi nesta figurinha que assisti ao filme "A Queda de Wall Street".


Na minha opinião o filme está muito bem conseguido. Apesar de utilizar muitos termos técnicos e fazer uso de conceitos complexos, consegue prender-nos ao ecrã pondo a nu a fraude, a ausência de valores morais, a desonestidade intelectual que existe e suporta este mundo promíscuo dos bancos. Aconselho vivamente, quanto mais não seja pelo papelão do Christian Bale e Steve Carell.

O fim-de-semana à gente normal prosseguiu, fiz a mala e pus-me a caminho. Não fui muito longe... Adoro Vila do Conde, pelas boas memórias que tenho da minha infância, pela paz e serenidade que me traz. Gosto particularmente de lá ir no inverno e não resisti. Passeei à beira-mar, em boa companhia, caminhei, respirei o ar do mar. Estava um frio de rachar, agasalhei-me mal e andei à chuva. Fui inconsequente, correu bem mas poderia ter corrido mal. A quimio tem-me dado uns presentes, como uns enjoos tardios, mas há momentos de trégua em que nos sentimos tão bem que nem pensamos. Para meu bem, decidi não voltar a desafiar a minha boa sorte.

Entretanto regressei à vida de doente oncológica que tem de ficar resguardada. Digo-vos, é a maior seca. Dizem-me para aproveitar estas "férias". Eu só consigo pensar que hoje, dia 1 de Fevereiro, estaria a dar mais um passo na minha vida profissional. Hoje seria o dia em que iniciaria o estágio curricular. Para ser mais precisa, a esta hora em vez de estar a escrever num blog sobre cancro deveria estar a entrar no meu sétimo sono, a descansar as minhas ricas perninhas depois de ter permanecido o dia inteiro em pé na farmácia. Não me devia ter vindo embora de Vila do Conde, deveria ter ido para ficar, era lá que ia estagiar.

Pensavam que era só boas energias e pensamentos positivos? Lá porque somos fortes psicologicamente, a maior parte do tempo, não quer dizer que sejamos sempre assim. Momentos menos bons, existem. E ainda bem que existem, só assim valorizamos as coisas banais da vida. Como ter a liberdade de ir ao cinema,só porque nos apetece! 

Passei o dia de hoje numa luta interior. Senti revolta, fui invadida por um desânimo como não me lembro de sentir. Uma angústia... Não pelos enjoos que teimam em não desaparecer mas porque sinto a minha vida suspensa. E no meio do caos, do pessimismo, respiro fundo e penso que não está ao meu alcance controlar a situação e, por isso, a maior vitória é vencer estes pensamentos, estes sentimentos. Contrario a tendência de me isolar e faço-me rodear de pessoas. Atendo o telefone a este e aquele. Tomo decisões. Hoje foi um dia de decisões. Vou começar a estudar. Só tenho exames em Julho mas são 5, uns atrás dos outros e preciso de tempo para me preparar.  Para além disso são exames difíceis. Gosto de fazer apontamentos, deixar tudo direitinho e bonitinho para ajudar a rever a matéria antes do exame. Há anos que tento e nunca os consigo acabar, o tempo voa. 
Será desta? 
Desafio-me a mim própria e sinto a confiança a crescer novamente. 
É a vida a entrar nos eixos!




terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Boas notícias!!

Há notícias que caem como mel. Foi o caso das notícias que recebi ontem na consulta com a Dra Ilídia.

Ontem acordei ainda não eram 7 da manhã. Um temporal, com trovoada e tudo, acontecia do lado de lá das janelas do meu quarto e pensei para mim mesma que não seria um bom presságio. Levantei-me com uma neura desgraçada, daquelas que nos levam a tratar os nossos entes queridos do piorio. Ninguém merece aturar-me, a mim e às minhas neuras.

Chegar ao IPO é sempre um tormento. Demoro mais tempo a sair da A3 e a entrar na Circunvalação do que a fazer a A42 toda. Já houve piores dias mas a verdade é que, como sempre, já ia atrasada. Desta vez, quem fez o enorme favor de me acompanhar foi o meu irmão. O primeiro dia de tratamento é muito saturante. É IPO de manhã até à noite.

De máscara posta lá entrei na caótica sala de espera das colheitas. Às 9.30 já estava despachada e sabia que tinha pela frente duas horas de espera até à consulta. Fomos até à cafetaria, para o primeiro café da manhã. Não teve aquele efeito rejuvenescedor tão característico, pelo contrário. Só de pensar nos dias difíceis que me esperavam já sentia náuseas. Li sobre isso e é possível que ocorram náuseas nos dias que precedem a quimio. Não sei se se tratará de algum efeito psicológico, mas pelos vistos acontece e, por momentos, pensei que padecia dele.

Chamaram-me para a consulta e fui encontrar a Dra Ilídia acompanhada de uma jovem médica em formação. Lembrei-me da Bé e de como me orgulho dela por ter conseguido entrar na especialidade de Oncologia como sempre sonhou. É preciso ter estofo e muito amor à camisola!

Levava comigo um CD com as imagens de um exame que tinha feito em Coimbra, uma PET (basicamente é um exame onde nos injetam uma substância radioativa que se vai ligar a zonas do corpo onde existam células com uma taxa metabólica elevada, como é o caso de células tumorais. Assim é possível fazer diagnósticos, controlar a eficácia de uma terapêutica e encontrar metástases). 

Este exame é necessário, bem como o biópsia óssea, para definir o estadiamento da doença. Esta biópsia foi já a Dra Ilídia que realizou (dói "comó carago!") mas a PET foi realizada ainda nos HUC e ficou de ser enviada por correio para o IPO. Como diz a Sofia, deve ter vindo de tartaruga e não pelos CTT, a avaliar pelo tempo que demorou. Demorou tanto tempo que resolvi acionar os meus próprios meios, que é com quem diz, tráfico de influências, e pedi à minha agente secreta que conseguisse o exame para mim sem ter de me dirigir aos HUC e pagar por um exame que é meu por direito. 
No entanto, a Dra Ilídia acionou também os meios dela e ontem já tinha consigo o exame. 
Juntamente com a biópsia, as imagens definem o estadiamento, tipo e duração do tratamento. A equipa médica da Hematologia já tinha reunido e avaliado os exames e decidiram que o estadio do meu cancrozinho é o 2. Cancrozinho não, porque o malvado mede 12 cm. E como tal, no final, vou ter de realizar radioterapia, que é o que se utiliza para massas volumosas e localizadas. Não me agrada, pelos efeitos que traz a longo prazo... mas antes radioterapia que quimioterapia. Sendo assim, há boas notícias! Não são resultantes do tratamento prescrito inicialmente, é mais um ajuste à minha realidade, ou à realidade do Barrabás. 
Não interessa, são notícias maravilhosas! 

Retiraram-me um dos fármacos, o Etoposido. Vou deixar de fazer R-CHOEP para fazer R-CHOP. À primeira vista a diferença não parece ser muita. Mas é. E foi esta diferença que me iluminou e me fez abrir um sorriso de orelha a orelha: a minha quimio passa a ser de um dia e não de três! Para além disso, este medicamento que me retiraram era o causador dos piores efeitos secundários. Aquele medo, irracional, que se tinha apoderado de mim e me fazia questionar "O que me vai trazer de novo este ciclo?" desapareceu, pura e simplesmente, porque a causa também desapareceu. E como uma boa notícia nunca vem só, fiquei a saber que só vou ter de fazer 6 ciclos. Tinham-me dito 8, porque não sabiam, ao certo, o estadiamento.

Li, uma vez, aquela crónica da Marine onde ela conta que uma médica lhe disse "Nós fazemos metade do trabalho. Os outros 50% fazes tu". Receber esta notícia foi como se tivesse atingido esses 50%. Foi como receber uma boa nota num exame, sabendo que a obtive pelo meu esforço e dedicação. A Pi diz que são as correntes de positivismo geradas em torno de mim. Eu cá acho, que no meio do azar que é o cancro, tenho a sorte de ter uma ou duas estrelinhas bem grandes e brilhantes. O que quer que tenha sido, deixou-me radiante. Foi como se me tivessem ligado à ficha e recarregado as energias! :)

Para acabar o dia em beleza (nem parece que estou a falar de um dia passado no IPO), a sala do hospital de dia em que calhei era a sala das camas. Não fosse o IPO um (quase) hospital de luxo, não se faz quimio só em cadeirões, mas em camas também, ah pois! Que bem me soube! Depois de me picarem, montarem o estendal todo para começar a quimio, lá me injetaram um anti-histamínico que ainda não me tinha apercebido que fazia parte da terapêutica. Agora compreendo o sono e a moleza! Adormeci e acordei passado uma hora com a confusão... Tinham derramado um pouco de medicamento de um dos sacos. Foi cortina, foi lençóis, chão, só não caiu em cima de mim, mas também não fazia mal. A enfermeira gritou, literalmente, pelo kit de derramamento e gerou-se um movimento em torno da minha cama que, ao princípio, tive dificuldade em compreender. Mas o perigo está à vista, são medicamentos citostáticos, tóxicos. À enfermeira só lhe faltou tomar banho para eliminar aquelas pinguinhas que lhe caíram no braço. Devo ter assistido aquela movimentação toda só com um olho aberto porque ela comentou, ao colocar novo saco de medicamento, "Tás com uma rabaça!!". E disse-o com a bela pronúncia do Norte.

Posto isto, se acham que neste momento estou a levar a minha tareia quinzenal, desenganem-se. Até vos digo, comi uma bela feijoada à minhota. Eu sei, sou uma gulosa de todo o tamanho. Mas hoje estava destinado ir para o IPO e a minha mãe planeou fazer esta comida bem pesada já que eu não estava por cá. Não tenho enjoos porque estou a fazer dois anti-eméticos, não vá o diabo tecê-las, nem dores de cabeça, nem má disposição. Só uma grande secura da boca (normal), falta de vitalidade/energia e um formigueiro na ponta dos dedos um tanto incomodativo. Mas nem por isso me impediu de espalhar a boa nova! 
E que venham muito mais boas novas para espalhar :D




domingo, 24 de janeiro de 2016

Nem tudo são rosas

Parece que o meu post anterior, tal como o nome do meu blog, gerou opiniões controversas. 
A propósito de pareceres "menos bons" que recebi, venho assim esclarecer alguns pontos.

Sou frontal, como já devem ter percebido. Digo o que tenho a dizer da forma mais clara e simples possível.
Não quero de forma nenhuma "beliscar" pessoas que "interagiram" comigo no facebook, muito pelo contrário. Sou uma pessoa humilde, sinto-me lisonjeada pela atenção que me tem dado, pelos comentários que me têm feito, pelos likes e reações que me tem deixado. Sou-vos grata, do fundo do meu coração, por me ajudarem a atingir o objetivo deste blog. O meu maior apoio vem, logicamente, da minha família e amigos mas também de todos os que me enviam mensagens de coragem. Sim, de todos os que me enviam mensagens a dizer "Não nos cruzamos há anos mas estou a torcer por ti".

A minha forma de brincar com as vossas "interações" não é prepotente, não tem malícia... Porque eu não sou essa pessoa! Aqui transpareço o que sou, com um pouco de humor (foi isso que aprendi recentemente). Quem me conhece entende e alinha, quem não me conhece, entenderá ou não. Devia ter pensado nisso. Mas para além de todas as qualidades que acabei de enumerar acerca da minha pessoa, esqueci-me de referir que sou impulsiva e por vezes precipitada... Ah, e convencida! ;)

O que escrevo é a verdade, é o que acontece diariamente. São constatações de factos. Houve um dia  que recebi tantos pedidos de amizade, de pessoas totalmente desconhecidas, que tive de repensar a minha decisão. Lamento não poder aceitar todos os que enviaram pedidos e espero que o compreendam. O que quero partilhar convosco, desconhecido ou não, está aqui. E por isso criei este blog, para ser público.

A esta hora a minha amiga Pi está a dizer "lá está ela a justificar o que não precisa de justificar". É uma questão de paz interior. Sou assim, não há nada a fazer amiga! ;)

Agora sim, vou dormir descansada, bem preciso... Amanhã é véspera de quimio, o 3º ciclo já está aí à porta! O tempo passa a voar e daqui a nada ando por aí a dizer que matei o Barrabás!

Espero poder continuar convosco nesta luta até que esse dia chegue.

Beijinhos e abraços
Bem-haja