quinta-feira, 7 de abril de 2016

Sim, calma, estou mais viva que nunca!

A pedido de várias famílias... Estou de volta! Admito que tenho sofrido de preguicite aguda e tenho adiado a minha passagem por cá. O meu post de hoje não vai ser extenso, passei mesmo para dar um alô. Acabo de sair do IPO, onde fui fazer mais uma PET, e estou no aeroporto do Porto, a fazer tempo para o voo para Lisboa. 

Devagar, bem devagarinho, a minha vida começa a regressar ao normal. Quatro semanas após a última quimioterapia sinto-me muito bem. O bastante para voltar à minha rotina, aos hábitos que tinha e preenchiam a minha vida antes de surgir o linfoma. 

Primeiro, voltei a estudar, fui à faculdade fazer exame de Virologia a semana passada. Tive bastante tempo para me preparar e apliquei-me bastante, mas fui atraiçoada com a sensação de que o tempo era muito e mais do que suficiente para atingir o meu objetivo. Resultado, nos dias que precederam o exame estava uma pilha de nervos e fartei-me de me culpar por não ter aproveitado melhor o tempo. Ainda assim, o exame correu bem e obtive uma excelente nota! Quando me comunicaram o resultado, senti uma grande satisfação, a minha primeira vitória deste ano letivo!

O meu regresso à normalidade fica marcado também pela prática de exercício físico, que se tornou regular, e pelo facto de estar apta a viajar em transportes públicos. Este último motivo impede-me de escrever mais neste momento. Avizinha-se um fim de semana soalheiro (espero) em Lisboa, recheado de reencontros com velhos e bons amigos, muito amor, muitos passeios, muitas coisas boas! 

No regresso prometo contar-vos, com mais pormenor, as novidades dos meus dias, incluindo os detalhes médicos, como a consulta com a médica da radioterapia e o início deste tratamento.

Por agora deixo um grande beijinho a todos os que me seguem e vão procurando saber de mim das mais variadas formas.

Vou ali ser feliz e volto já!


sexta-feira, 11 de março de 2016

Guida 6 - 0 Barrabás

Lição do dia: nunca tentem remarcar uma consulta no IPO. Resolvi seguir a sugestão da Dra Ilídia na consulta passada (5º ciclo) e tentei mudar a consulta de quarta para quinta-feira, dia em que tinha hospital de dia, assim evitava a viagem ao Porto duas vezes. Foi pior a emenda que o soneto, como se costuma dizer. Não só me remarcaram a consulta como também remarcaram as análises, e o hospital de dia... Quase tudo para a mesma hora! Quando me apercebi destas trocas absurdas liguei para lá. Deram-me um conselho à Português... "Olhe, venha, e depois logo se vê!"

Às 13.30h, hora marcada para as análises já estava na sala de espera. Que diferença, é tão melhor fazer análises a esta hora: sala com pouca gente, tempo de espera mínimo. 
Depois das análises fui tentar resolver o imbróglio dos horários sobrepostos. Está fora de questão fazer quimio sem consultar o médico, mas conseguiram marcar-me a consulta para depois da hora da quimio! Só havia uma opção, esperar pela consulta das 15h40 e rezar para que não me adiassem o tratamento para o dia seguinte. Acho que nunca desesperei tanto na sala de espera da clínica de Onco-hematologia. Tinha um livro para ler mas mal consegui pegar nele. Primeiro porque há múltiplas distrações e eu gosto de ler sossegadinha no meu canto e depois porque estou a gostar imenso dele e acho que iria, de certa forma, marcar o livro com a memória de o estar a ler e a terminá-lo naquela sala de espera. Esperei quase 3 horas pela consulta. Passou-me tudo pela cabeça: o resultado da PET podia alterar todo o cenário previsto inicialmente. Podia prolongar o tratamento ou, por milagre, dispensar a concretização da sexta quimio! Ou então mantinha-se tudo como previsto. 

Finalmente chamaram-me. Falso alarme, quando ia a entrar no consultório dizem-me para voltar para a sala de espera porque ainda não havia resultado das análises. Afinal não há grande vantagem em ir fazê-las numa hora de menos "trânsito"... Quando estava a atingir o pico do desespero, chamaram-me pela segunda vez, até que enfim!!

Vou tentar resumir muito rapidamente o tempo que passei com a minha médica. 
Fez-me as perguntas habituais sobre como tenho passado e se sinto algo de diferente. Demonstrou alguma preocupação quando lhe disse que estava constipada há uma semana e que não há grande sinal de melhoras... Mas desde que não tenha febre, nem tosse com expectoração está tudo bem! E agora vamos ao que interessa: resultado da PET. O exame mostra ainda alguma positividade. Prefiro substituir esta palavra, usada pela médica, por atividade. Ou seja, há ali qualquer coisa a dar sinal. Mas é um sinal residual. Podem ser ainda células malignas mas também pode ser resultado do processo de inflamação, do processo de morte de celular. A minha mãe perguntou se há a possibilidade de permanecer e, consequentemente, viver com uma massa de células que, eventualmente, resistissem ao tratamento. A médica explicou que é como uma corte na pele... Fica sempre uma cicatriz. Neste caso é mais ou menos isso. Posso ficar sempre com umas célulazitas, que, não sendo malignas, são células diferentes das normais. Foi a minha vez de perguntar, como podemos ter a certeza de que o linfoma bateu a bota? Ora bem, só fazendo uma biópsia. 

Em vez disso, vamos seguir com o protocolo e passar à radioterapia. O que quer que seja e que ainda lá está não há-de resistir à radiação. Foi aqui que percebi que está tudo a correr dentro do previsto. O linfoma de 12 cm está num estado residual... Ao fim de 4 ciclos! Não podia ser de outra forma, eu disse, desde o início, que este linfoma estava feito ao bife!!! :D

O próximo passo é uma segunda PET, que vai ser feita daqui a umas 3 semanas. Pedi à Dra para a marcar só depois de dia 31, assim não atrapalha o meu exame na faculdade. Acedeu ao meu pedido e vai ser marcada para o início do próximo mês. Depois disso segue-se uma consulta com a médica da radioterapia, a Dra Marta. Com os dados da PET ao fim dos 6 ciclos, a minha nova Personal Trailer vai estabelecer um novo plano de tratamento. Agora estão na moda aqueles treinos de alta intensidade, para melhores resultados... A radioterapia é mais ou menos isso, obriga-me a ir ao IPO 5 vezes na semana. Vai ser dose!

As boas notícias continuam. Daqui a duas semanas os meus valores sanguíneos vão voltar ao normal, as minhas defesas vão ficar minimamente restabelecidas. Minimamente porque, como me disse a médica, recuperar a integridade do meu sistema imunitário vai demorar uns meses... Mas, entretanto, posso voltar à minha vida normal. Vou poder viajar em transportes públicos (= ir a Lisboa ver o meu namorado e amigos por 20 euros na Ryanair), nadar, inscrever-me no ginásio, comer as framboesas que tanto adoro, uma simples salada de alface e tomate quando for a um restaurante, ir a um espetáculo, ir ao cinema sem que ninguém fique a olhar para a minha máscara... Coisas simples, aparentemente, mas tão essenciais para mim!

Às 17.30h comecei a quimio. A enfermeira responsável por me administrar o tratamento de hoje perguntou-me como estava a ser esta caminhada. Os meus olhos encheram-se de lágrimas quando lhe disse que era a última. Os dela também (uns olhos azuis brutais). Contei-lhe da PET, da radio, dos meus planos para os meses que aí vem, enquanto ela me dava a injeção de Rituximab que demora séculos... Vá, uns minutos, porque a solução é tão espessa que custa a entrar no corpo!



Recostei o cadeirão o mais que pude e adormeci. 
E, de repente, passou-se a quimio. Acabou, finito!! 
Nunca mais vou ter de esperar horas pela minha vez nas diversas salas de espera, nunca mais vou ter de ser picada 3 vezes em sítios diferentes no mesmo dia, nunca mais vou ter de me sujeitar à seca das horas intermináveis naquele instituto, que tem tanto de mau como de bom. Pelo menos nas próximas 3 semanas!
Não acabou o martírio do cancro (que começou faz hoje, precisamente, 4 meses), para já acabou o martírio da quimioterapia. Para mim, para o meu pai, para o meu irmão, para a minha mãe, que é a pessoa que nunca sai de ao pé de mim (ou como se diz cá em cima, da "minha beira"), tanto fisicamente como no pensamento. Para o Pedro, que apesar de estar longe é um dos meus pilares. Para toda a minha família, para todos os meus amigos. 
Outras etapas se seguirão, fardos bem menos pesados que vou ter de suportar. 

Depois disto, tudo o que vier são "peaners"!

Agora vou dormir, que o tratamento dá-me um cansaço desgraçado. 
Mas não podia deixar de passar por cá e contar as boas novas. Quem me acompanha sempre merece esse meu esforço. Porque foi a energia de todos que me fez chegar aqui. Lembrei-me, neste preciso momento, do anúncio da Galp que diz que se queremos chegar rápido vamos sozinhos mas se queremos ir longe, vamos juntos. 
Fintar um linfoma e dar-lhe 6 a 0 não foi fácil mas OBRIGADA, do fundo do meu coração, pela vossa energia, que gerou mais energia em mim!


PS: Nas próximas semanas tenho de dedicar-me, com todas as minhas forças, ao estudo para o exame que vou realizar. O meu rendimento mental não é o mesmo nesta fase (ainda estou sob o efeito da quimio) e por isso tenho de redobrar o esforço. Não estranhem a minha ausência se, eventualmente, acontecer.



terça-feira, 8 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher


Há vídeos que não requerem grandes descrições, falam por si só.

Este, é dedicado às GUERREIRAS que, com a sua luta, dão significado à palavra MULHER.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Careca Power

Lembram-se da Marine, do Cancro com Humor?
A Marine deu uma palestra sobre o projeto dela na Casa Ronald McDonald, à qual eu assisti. Depois desse dia, a Marine convidou-me a dar o meu testemunho, testemunho esse que se destinava a ser incluído numa “secção” do blog Cancro com Humor chamado de Movimento Careca Power. 
Quando (d)escrevi a minha experiência, estava entre o segundo e terceiro ciclo de quimioterapia. Tinha acabado de receber boas notícias e ainda nem tinha chegado a meio do tratamento. Por diversos motivos, nomeadamente a internacionalização do projeto da Marine, só ontem o meu testemunho foi publicado por ela. Desde que o escrevi até ser publicado passaram-se algumas semanas, 3 ciclos de quimioterapia, para ser mais precisa. Se, na altura, ainda nem a meio ia, hoje já só me falta uma sessão.

Ontem, Enquanto relia as minhas palavras apercebi-me de alguns factos.

Primeiro de tudo, a forma como a existência do Cancro com Humor modificou toda a minha experiência e forma de encarar o cancro. Lembro-me de, por altura do Natal, me perguntarem se ia sozinha a um dos jantares para o qual fui convidada. Respondi que não, que levaria o meu cancro também. Recordo-me de me sentir arrependida por ter dado esta resposta, não sabia se ia chocar quem a receberia, se era politicamente correto brincar com um assunto que não tem piada nenhuma. Senti-me culpada, vá! Depois da palestra da Marine percebi que, se me “divertia” a fazer piadas sobre a minha própria doença, não me deveria sentir mal por isso. Afinal o cancro é meu, sou eu que o aturo e por isso tenho todo o direito de dizer o que bem me apetece sobre ele! 
Mas calma, não ando para aí a dizer o que me vem à cabeça, tenho dois dedos de testa e sei bem com quem me posso "esticar"! Por outro lado também há quem se estique comigo e tente utilizar o meu cancro como meio para obter determinados fins (em tom de brincadeira, como é lógico). Dou-vos um exemplo: tentei ir com umas amigas a uma loja da Nutella. Havia uma fila interminável e ficamos a olhar umas para as outras quando nos apercebemos do tamanho dela... “Eh pa, dizemos que ela tem uma cancro!”, disse uma. Vira-se a outra “Dizemos que é o último desejo dela, que achas?”. Pronto, são estas as amigas que tenho. E ainda bem que as tenho, porque fartei-me de rir com estas intervenções!!

Em segundo lugar, questionei-me sobre se o meu discurso de hoje seria o mesmo que foi naquele dia. Provavelmente não, porque as palavras saem sempre de forma diferente. Há dias que não me apetece mesmo escrever. Há outros em que tenho palavras e ideias a fervilhar, um autêntico brainstorm. Palavras à parte, passou-se muita coisa neste intervalo de tempo... O motivo da minha força no dia em que escrevi o meu testemunho para a Marine não é o motivo da minha força de hoje. A intensidade da força que pretendia transmitir a todos os carequinhas a quem se destina o texto, essa sim, permanece a mesma. Já a nível de frequência... Tem dias! Estou cansada, muito cansada deste processo. Não é cansaço físico, é cansaço mental, entenda-se. Motivos para me agarrar à vida não me faltam, é certo, mas há dias negros, é impossível negar a existência deles. Nesses dias luto comigo própria, tento praticar a filosofia do viver aqui e agora sem pensar no futuro, sem pensar nas voltas que a vida deu e nas voltas que vai ter de dar para que tudo se recomponha. 
Mas há dias bons, há dias que, sem nada em particular, são agradáveis e ponto. Há dias em que me sinto tão bem que nem parece que sou uma doente oncológica. Tenho dito a várias pessoas que, por ver o final tão perto, até parece que tenho tido menos efeitos secundários. Vou dizer à Dra Ilídia que devo ser um caso de estudo porque o meu relato não vai ao encontro da maior parte dos relatos que ouço. O “ah e tal, prepara-te porque os efeitos secundários agravam-se com as quimios” não combina comigo, com a minha quimio.
Serão as minhas estrelinhas (onde quer que elas estejam)?

Para lerem o meu testemunho Careca Power podem aceder aqui.

E não deixem de seguir o blog e facebook da Marine, ela sim, é uma grande Mulher e força da natureza.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Reta final!! :D

Mais uma semana, sete dias carregados de acontecimentos marcantes. Uns bons, outros maus, uns esperados,outros nem por isso... De todos eles, destaco os positivos, nomeadamente a visita dos meus amigos, que vieram de Lisboa, onde vivem e trabalham, apesar de serem uns transmontanos e minhotos de gema! Tanto a Ana, como o Kiko, como a Bia, são meus amigos há muitos anos e são aquele tipo de amigos que estão sempre longe e ao mesmo tempo sempre perto. Toda a gente tem um ou outro amigo assim. Eu gosto de pensar que sou especial no toca a matéria de amigos desta categoria, porque não tenho um ou dois, tenho uma mão cheia deles!

Primeiro a Bia, pequenina em altura, grande de coração, que veio alegrar a minha tarde de estudo com uns docinhos e um chá, algumas horas de conversa e um abracinho forte, cheio de boas energias!



Depois a minha Ana Maria (aka Sardinha) que aproveitou a escapadela do seu Manel  para vir passar um fim-de-semana a Felgueiras. O fim-de-semana afigurou-se curto, mas foi suficiente para dar uns belos passeios, aproveitar o sol e ainda nos proporcionou umas aventuras que envolvem cães da raça Yorkshire perdidos - ou abandonados (mas nem quero pensar nisso) - em plena auto-estrada!



A Ana é aquela amiga, meia maluca, que se conhece na universidade e que marca a vida de quem se cruza com ela, pela sua genuinidade, espontaneidade e, claro, por ser mais que uma amiga, uma irmã!


Esta semana tive de ir três vezes ao IPO. Na segunda tinha análises e consulta, terça tinha de ir fazer a PET e na quarta a quimio. 
Como devem imaginar a minha vontade de lá ir três vezes era mínima e, apesar de ter dormido em casa da Pi no domingo (e por isso já estava no Porto), consegui chegar atrasada às análises. Sair da cama de manhã é uma odisseia!! O que vale é que nas recepções dos serviços por onde passo ninguém se chateia comigo por não chegar a horas, assim até espero menos pela consulta :)

A Pi, sempre presente, acompanhou-me desta vez na consulta e teve o prazer de conhecer a querida Dra Ilídia. De olhar ternurento, gaba-me sempre o turbante que faço com os meus lenços e deu uma gargalhada contagiante, tal como esperava, quando a Pi lhe mostrou a nossa fotografia com as perucas de carnaval!
As análises estavam mais ou menos boas, mas nada de preocupante. Não me impediu de fazer o tratamento e aumentou-me as injeções que estimulam o corpo a restabelecer os níveis sanguíneos no período de descanso entre quimios. Marcou-me, como sempre, um raio x. Ou melhor, tentou marcar! O sistema não funcionava nem por nada e acabei por não conseguir fazer o raio x nesse dia. 
À hora de almoço estávamos despachadas e fomos almoçar as duas, como já não fazíamos há muito tempo, mas desta vez com vista privilegiada para o Douro!



 No dia seguinte, terça-feira, tinha a PET marcada para as 13:30. Ainda tentei fazer o raio x que a Dra Ilídia tinha pedido mas continuava sem estar marcado. Telefone para aqui, telefone para ali, nada feito. E com isto já estava atrasada para a PET. 

A PET é um exame que demora bastante tempo pela preparação que requer. É-nos injetada uma solução radioativa e temos de esperar que esta percorra todo o corpo. Depois vamos à máquina de TAC e é rápido mas até lá são umas três horas que ficamos à seca. Ainda por cima temos de ficar quietinhos e sempre na mesma posição para que haja uma distribuição uniforme da solução. Nada de ler, levar o telemóvel ou tablet. Ou dormimos ou ficamos a pensar na morte da bezerra! 
A enfermeira vem com uma barra de metal que me faz lembrar um supositório em tamanho gigante! Desmonta-o e sai de lá uma agulha com a substância radioativa. "Sabe que não pode estar com grávidas e crianças no dia de hoje não sabe? E quando for à casa de banho tem de puxar o autoclismo duas vezes?" Sim, já sei isso tudo! Depois de uma hora à espera para ser chamada, fiz o exame e saí às 18:15h. Sem comer. Valeu-me a minha mãe que pensa em tudo. Às 7 da manhã de terça-feira acordou-me e levou-me o pequeno almoço à cama, assim perfazia as 6 horas de jejum e sempre ia com o estômago mais confortável! 

Quando saí tinha o Kiko à minha espera. E agora preciso de contar o porquê de ser amiga do Kiko. Não somos da mesma terra, não tiramos o mesmo curso e nem sequer estudamos no mesmo sítio. Ele é de Vila Real e vive em Lisboa. Mas é, desde sempre, o melhor amigo de uma grande amiga minha e, por caminhos tortuosos, tornam-nos amigos também. Conhecemos-nos no dia em que o namorado dessa nossa amiga morreu, de cancro. O cancro uniu-nos nesse dia e insiste em não nos largar. O Kiko está a recuperar neste momento de um cancro, eu estou a tratar e hei-de recuperar dele também. O Frederico (já estou farta de escrever Kiko) é enfermeiro no IPO de Lisboa, trabalha com cancro todos os dias e disse-me, ainda ontem, que não se vê a trabalhar noutro lado, porque precisa do doente oncológico, são eles que o fazem sentir realizado e feliz no trabalho, apesar de ganhar uma ninharia ridícula, como tantos enfermeiros ganham por este país fora. Assim, e como podem constatar, o Kiko é um ser especial, de uma candura e sensibilidade que poucos homens têm.





Sempre que ia a Lisboa nunca conseguia ver o Kiko, pois ele além de enfermeiro dedicado é professor e está a tirar a especialidade. Tem por isso uma agenda ocupadíssima! Não nos víamos há quase 2 anos. Não nos reencontramos nas melhores circunstâncias, mas assim que o encontrei parecia que tínhamos estado juntos no dia anterior numa qualquer esplanada a dar duas de treta. Continua tudo igual o que me leva a crer que esta amizade será para sempre.

Fomos jantar, levou-me à quimio no dia seguinte, foi meu motorista e indiquei-lhe o caminho para o estabelecimento de Felgueiras onde se comem umas panquecas com mel de fazer crescer água na boca. Tratamo-nos bem, portanto!
Hoje foi embora, e sinto a falta dele. Fez-me lembrar de quando era mais nova e a Valéria, minha amiga e futura mamã, passava uma semana e tal em minha casa no Verão. Eram 24 sobre 24 horas juntas e sempre que se ia embora sentia muito a falta da minha companheira! Com o Kiko ficou a pairar o mesmo sentimento e por isso fica a promessa de que quando for a Lisboa ter com o Pedro vamos todos comer uma grande sushizada... Sim kiko, não penses que me esqueci! ;)

Para terminar e acabar bem o dia, recebi um raminho de umas flores vermelhas cujo nome não consigo reproduzir... A tia Irene, mesmo que queira comentar aqui no blog não vai conseguir fazê-lo (há determinadas pessoas que não conseguem mesmo) e por isso vou-me manter na ignorância! 


(Pedro, estou pronta para casar!! :p )

Mas não podia deixar de partilhar aqui estes miminhos que, de vez em quando recebo, e me deixam muito feliz.

Faz-me sentir que gostam de mim, que se preocupam comigo e que me têm no pensamento. Sei que estou no pensamento de muitas, muitas pessoas, todos os dias. As mensagens continuam a chegar e sinto-me cheia de energia (apesar de ter feito quimio ontem), transmitida por todos os me acompanham, de longe ou de perto, por saber que já só falta um ciclo, pelo fim-de-semana que se aproxima (e que com ele traz o meu amor) e por saber que esta fase, apesar de má, vai ser passageira. Só é preciso um bocadinho de paciência e "botar" um sorriso na cara, como diz a música!

E é com o meu sorriso que vos deixo. Um sorriso e uma carequinha orgulhosa!
Beijinhosss