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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Outfit da moda!

Hoje foi um dia de adrenalina... e porquê? Porque quebrei as regras e fui enfiar-me exatamente no sítio onde fui proibida de ir... Um centro comercial, em hora de ponta!

O dia começou com uma longa espera no IPO. Desconfio que essa espera tenha sido culpa minha porque, de facto, cheguei lá com mais de meia hora de atraso. E como quem vai ao ar perde o lugar, pumbas, toma lá uma hora de seca! Para depois chegar lá dentro, levar uma "pica" (não sei o que a enfermeira pensou de mim para resolver usar este termo) e sair passados 2 minutos.

Já que estávamos no Porto, eu e a minha mãe decidimos passar pelo El Corte Inglês e pelo Ikea, pois há muito que precisávamos de umas coisinhas de ambos os sítios. Se não fosse hora de almoço ficaria no carro enquanto a minha mãe entrava, mas eram quase 14h e toda a gente sabe que eu me transformo numa diva quando estou com fome! 

Problema: defessas em baixo vs centros comerciais = perigo de infeção! 

A indicação que tenho é que, cerca de 3/4 dias após a quimio os níveis sanguíneos começam a baixar, uma vez que os medicamentos utilizados causam mielosupressão. Para contrariar essa tendência, já estou a fazer umas injeções, fáceis de administrar em casa, que estimulam a medula a produzir e a restabelecer esses valores. Mas ainda assim, e apesar de eu me sentir bem, há esse risco e cabe-me a mim proteger-me e resguardar-me. 
Mas e comer? Eu preciso de comer! 
Ora, se para o IPO, por indicação da Dra Ilídia, fui equipada com máscara, então o mesmo é válido para entrar ali, num instantinho, na praça da alimentação do Corte Inglês... 

Sabia que iam ficar a olhar para mim, sabia o que iam pensar. 
E quê? Não tenho direito? 
Afastei esse preconceito da minha cabeça, pus a máscara e entrei. Até já ia a pensar no Vitaminas! 

Cheguei lá e pedi o mesmo de sempre, a massa integral de cogumelos e feta com molho vinagrete. Tive o cuidado de trocar o tomate (porque não convém comer alimentos crus fora de casa, nunca se sabe se estão amukinados) pelos legumes grelhados e fiquei agradavelmente surpreendida pelo resultado. A propósito dos sumos naturais de lá, a minha mãe sugeriu que déssemos um saltinho ao SuperCor, não fosse aquele supermercado que tem tudo e mais alguma coisa. Abasteci-me de tudo o que é fruta com alto poder antioxidante entre outras super qualidades: goiaba, maracujá, pêra-abacate, mamão e mangostão. Não faço a mínima ideia qual a textura e sabor deste último mas amanhã já descubro com a ajuda da minha liquidificadora.

Saí, feliz da vida, para o parque de estacionamento e rumamos a mais um centro comercial. Desta vez optei mesmo por ficar no carro. No Ikea anda-se muito e o Barrabás já estava a dar sinal de vida... Como diz a Ana, uma amiga minha, é o Barrabás a estrebuchar!
Sabia que a minha mãe ia demorar. É impossível não se demorar quando se vai para o Ikea. Como não tenho amigos tinha de me entreter com qualquer coisa... Estou a brincar, os meus amigos, como pessoas normais que são, estão é todos a trabalhar aquelas horas! 
Li o meu livro, dormitei 5 minutos, falei com a Pi e tirei umas selfies. Porque não? E logo eu que adoro fotografias! 
Apresento-vos o meu novo outfit, parece que agora tenho de me apresentar assim em locais com uma certa densidade humana. 
Agora quando me virem não façam de conta que não me conhecem ;)


P.S.: A minha mãe trouxe várias coisas do Ikea, mas não o que precisava... Típico!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Just a bad day, not a bad life!

Aquela história de não ter de voltar ao IPO por uns dias... Saiu-me o tiro pela culatra! Se na quarta-feira à noite já tinha um pouco de dor de cabeça, na quinta-feira, quando acordei, estava que nem podia. As dores de cabeça eram tão fortes que me obrigaram a chamar pela minha mãe e a pedir-lhe para ligar para a minha médica, pois nem me sentia capaz de articular o que fosse ao telefone. 
No meio da dor vieram as náuseas e, consequentemente, os vómitos. Tive indicação imediata para me dirigir ao IPO. 
Felizmente, esta terra está dotada de bons acessos e boas auto-estradas é o que não falta por cá. Trinta minutos depois estava a dar entrada na clínica de onco-hematologia do IPO. Fui vista pela enfermeira Carla, já minha conhecida, que me pediu para aguardar na sala de espera até que o médico que estava de urgência tivesse disponibilidade para me ver. E porque quem tem uma mãe como a minha tem tudo, aguardei na sala de espera, coberta pelo seu sobretudo e com a cabeça apoiada no colinho dela. Não havia outra posição possível! Entretanto lá me chamaram e fui vista pelo médico. O jovem médico que me atendeu era extremamente simpático e notei nele uns traços do Pedro, provavelmente pelo sorriso fácil, pele e olhos claros, de que tanto gosto. 

Comecei a descrever o que sentia e, a certa altura, já era ele que me descrevia a mim os sintomas que  eu tinha. Puxou do caixote do lixo para eu vomitar mais uma vez e deixou-me à vontade enquanto foi verificar a disponibilidade da sala de enfermagem para me colocar a soro. Não comia desde o dia anterior e estava desidratada. 500 mL de soro, uma dose de metoclopramida para me tirar as náuseas e uma dose de dexametasona, um corticóide. Isto em cima de 100mg de tramadol, um analgésico, e um comprimido de ondansetron, para as náuseas também, que já havia tomado em casa. 

Com esta dose de cavalo a Guida deve ter ficado bem... Só que não! Continuei ali, no colinho da minha mãe, coberta com o casaco dela à espera que o médico me observasse outra vez. 
Quando me voltou a avaliar ficou contente ao constatar que eu já conseguia ingerir alguma coisa, ainda que essa alguma coisa fosse somente água. Observou-me, auscultou-me, falou comigo e explicou-me que estas reações são normais... E a tendência é para agravar!
Lá me prescreveu mais uns medicamentos e mandou-me para casa descansar. Mais cedo ou mais tarde a dor de cabeça, que entretanto se tornou uma enxaqueca gigante, vai passar.  

Desde o dia em que toda esta aventura começou, só tive 2 dias verdadeiramente maus. Este foi um deles e ocupa a 1ª posição do top. É daqueles dias tão maus, mas tão maus, que nos levam a pensar "Porra, nunca mais me vou queixar por porcarias de nada que não têm repercussão nenhuma na minha vida. Hoje sim, hoje foi um verdadeiro mau dia e será um dia do qual vou ter sempre memória!"

Mas o mau dia passou e a Gui está de volta. Hoje já consegui comer e até voltei a ter apetite. Pude deliciar-me com a melhor tarte de maçã do mundo (amavelmente oferecida pela Armandina), entre outras coisas. A partir de agora, é sempre a melhorar (espero)!!