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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Quem não arrisca, não petisca!

Ora bem, chegou o momento de publicar a primeira das muitas experiências entre tachos! 
Resolvi, literalmente, meter as mãos na massa e o resultado foi muito positivo. Cozinhar tem em mim o mesmo efeito que tem este blog: entusiasma-me, liberta-me e leva-me para bem longe dos assuntos do dia-a-dia. O mesmo acontece quando nado (que saudades!), quando corro, quando compro um livro e vou toda contente para casa (mesmo que chegue a casa e o meta na prateleira em "lista de espera"). Enfim, não vou enumerar todas os hobbies que produzem boas sensações em mim, só queria deixar claro que isto de cozinhar, procurar receitas novas, ingredientes e combinações diferentes, é uma terapia!

Recorri ao livro "Receitas Deliciosas para Doentes Oncológicos em Tratamento", de onde tirei uma receita do Chef Bernhard Pfister

Wrap de farinha de trigo integral com peito de frango, abacate e amêndoas tostadas

(Foto livro)

Este wrap é ótimo para um jantar leve, ou para levar na marmita de almoço. 
Fiz algumas adaptações à receita. Basicamente tornei-a mais fácil, a nível de medidas, para facilitar a execução da mesma. Por esse motivo, a receita que, de seguida, vos deixo não é uma cópia integral da que está no livro.

Ingredientes wrap:
- 100g farinha integral 
- 2 ovos
- 20g manteiga com sal
- 200mL leite
- Uma pitada de sal

Confecção wrap:
1. Para preparar a massa do wrap, comece por derreter a manteiga. De seguida misture a farinha, o leite, a manteiga e o sal. Adicione o ovo e misture bem. (Para fazer a massa utilizei a bimby, velocidade 4, mas podem utilizar uma liquidificadora, varinha mágica ou uma vara de arames)

2. Unte uma frigideira anti-aderente com um pouco de óleo e aqueça bem. Coloque massa suficiente para um wrap, confeccionando-o como se fosse um crepe. Repita o mesmo para a restante massa (Dá 4/5 wraps).


Ingredientes recheio:
- 1/2 abacate 
- sumo de 1 lima
- 4 bifes de frango (ou o equivalente em peito de frango)
- 1 iogurte natural açucarado
- 1 mão cheia de amêndoa laminada
- salsa picada q.b.
- sal e cominhos q.b.

Confecção do recheio:
1. Comece por ferver o frango em água salgada (10 min). Deixe arrefecer e corte em tiras finas (podia ter usado a bimby para desfiar o frango mas optei pelo Turbochef da tupperware, um picador incrível).
2. Corte o abacate em cubos pequenos.
3. Misture o frango, o abacate, o sumo de lima, o iogurte, a amêndoa, o sal e os cominhos (este condimento dá um toque essencial ao recheio)

Por último, recheie o wrap, enrole-o e sirva de imediato. 






Acompanhe com uma salada variada e finalize com um delicioso Duchaise, disponível numa loja Rosa Sousa perto de si!

Bom apetite :)



domingo, 17 de janeiro de 2016

A Revolta dos Pastéis de Nata

Nos últimos tempos, por força das circunstâncias, tenho vindo a constatar que a alimentação no doente oncológico é da máxima importância. Todas as pessoas com experiência direta ou indireta nestas coisas dos cancros e das quimioterapias dizem que a alimentação não foi o ponto mais crítico da situação, mas todas relatam, sem excepção, algum episódio "gastronomicamente" menos positivo.

Tive sorte de, neste segundo ciclo, não ter enjoado de nenhum alimento (lá estás tu a meter a carroça à frente dos bois... o 2º ciclo ainda não acabou!), mas no primeiro não tive escapatória...

A minha amiga Carolina, vinda diretamente de Lisboa para me visitar no fim-de-semana antes de Natal, e sabendo como sou perdida por Pastéis de Belém (ou era!) trouxe consigo 2 caixinhas deles, bem fresquinhos! Nesta altura há quem pense que eu devorei 10 pastéis, mas vá, também não sou assim tão gulosa! Comi apenas um. Soube-me pela vida. É um sabor tão nosso, tão português!
Na impossibilidade de receber mais do que duas pessoas por dia no internamento do IPO, ofereci uma das caixinhas ao pessoal lá do sítio. Apesar de se destinarem a serem comidos por mim e pela minha família, soube-me bem poder dar um miminho tão saboroso às enfermeiras e auxiliares que estavam ao serviço naquela tarde.

Como eu estava a dizer, comi apenas um. Não me perguntem o que aconteceu, mas depois daquele pastel não consegui comer mais nenhum. Nem olhar para a embalagem tão característica daquela casa eu podia. De todas as vezes que o fazia ficava de tal forma nauseada que tive de os fazer desaparecer da minha mesa de apoio... Conhecendo a Carolina como conheço, e sendo ela uma menina de Cascais, sei que quando ler este post vai pensar: "Que aborrecimento, fui transtornar o apetite à miúda!". Minha querida, a culpa não é tua, descansa, mas sim do raio do tratamento!!

Apercebi-me, neste preciso momento, que passou exatamente um mês desde essa visita. E desde então que a aversão a pastéis de Belém se mantém. 
Já não sei a que propósito, no dia de Natal comentei esta aversão recentemente adquirida à mesa, enquanto jantávamos cá em casa. A minha avó, já de uma certa idade, não entendeu que falava dos ditos pastéis com uma certa repulsa e fez questão de frisar "Guida, sabes como eles são bons? Quentinhos, mesmo a sair do forno!". Eu tentei a todo o custo afastar aquela visão do inferno e, num alvoroço, todos os que estavam à mesa tentaram mudar de assunto. Ela, coitadinha, não percebeu. E resolveu frisar de novo "E com canela e açúcar em pó por cima?!". Foi risota geral!

Deixando os pastéis (que já não posso ouvir falar) e voltando à importância da nutrição... Como só tenho consulta de Nutricionismo no IPO marcada para fevereiro, empenhei-me em saber mais sobre o assunto. Comprei um livro, de umas autoras espanholas e, entretanto, a Belinha ofereceu-me outro, lançado recentemente, que compila receitas de vários chefs de cozinha especialmente dirigidas a doentes oncológicos em fase de tratamento.


Ainda não tive oportunidade de explorá-los a 100% mas como facilmente se prevê, estão repletos de dicas e conselhos nutricionais para prevenir a desnutrição durante os tratamentos de quimo e radioterapia. Têm, inclusivamente, indicação de quais os melhores alimentos para combater ou evitar determinados sintomas que frequentemente surgem. O "Comer para Vencer o Cancro" está dividido em duas partes, uma onde constam os tais conselhos e outra que aborda a nutrição como uma via de prevenção de certos tipos de cancro. Ou seja, não são livros que se destinam, exclusivamente, a doentes com cancro, mas sim ao público em geral, o que os torna menos enfadonhos e mais interessantes para todos cá em casa!

Com tantas receitas nem sabia por qual começar mas optei por uma do Chef Henrique Sá Pessoa, uma omeleta-soufflê de cogumelos acompanhada por uma salada de rúcula. Tentei que a minha avó participasse ativamente na confecção da receita, visto ser também ela uma grande entusiasta de cozinha e sábia no que diz respeito a cozinha tradicional portuguesa. 

Não sou uma fotógrafa exímia, apesar de essa área me atrair bastante, mas prometo que vou dar o meu melhor, não só na cozinha como na foto reportagem, pois o objetivo é partilhar algumas dessas receitas aqui no blog. Para minha e vossas delícias :)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Não há coincidências

Se há coisa que me irrita nos canais generalistas portugueses são os programas da manhã. Uma vez por outra lá surge qualquer coisa interessante, mas de uma maneira geral acho que são programas pobres em conteúdo. Ainda assim, tenho o hábito de ligar a televisão enquanto tomo o pequeno-almoço, posso ter a sorte de apanhar as notícias e sempre me faz mais companhia que o Charlie, que só sabe pedir torradas!

Segunda-feira da semana passada, dia 28 de Dezembro, não foi excepção: liguei a televisão e fui preparar o meu habitual cappuccino. O tema chamou-me a atenção e prendeu-me. Conheci a Sofia, uma entusiasta da pastelaria, que estava ali não só pelos seus dotes de culinária mas também por uma particularidade, tinha cancro. Com apenas 24 anos, a Sofia estava no programa "A Praça" a distribuir uns cupcakes natalícios com um aspeto delicioso e a falar abertamente sobre a sua condição: finalmente estava curada, livre de tratamentos e de preocupações!
A Sofia é autora de um blog, daqueles que deixam água na boca, o Chá das Cinco. Foi nele que mergulhei depois daquela surpresa matinal e foi através dele que recuperei a vontade de me dedicar de novo aquilo que tanto gosto... Cozinhar!

Fiquei de tal modo empolgada com a ideia que acedi ao link disponibilizado no blog dela para assistir de novo à reportagem (34:20). Queria mostrar à minha mãe aquela pessoa inspiradora com quem tanto me tinha identificado. Estava ciente de não ter acompanhado a reportagem do início mas não tinha noção da importância do que havia perdido... Nada mais nada menos do que a parte em que a Sofia fala da doença e do blog dedicado a ela. Blog? Qual blog? Sim, há um outro blog para além do Chá das Cinco. Chama-se Rebelde com Causa e mostra-nos o dia a dia de uma jovem com cancro. Coincidência das coincidências, a Sofia teve exatamente o mesmo tipo de cancro que eu tenho. Assim, sem tirar nem pôr.

Escusado será dizer que nessa noite não me deitei sem ler todos os posts. Tudo aquilo que eu tinha evitado saber e pesquisar porque me convenci que não precisava de nada nem de ninguém para me ajudar a perceber e superar certos obstáculos, estava ali, mesmo à minha frente e não podia ser ignorado. E ainda bem, porque me ajudou imenso. Falar com a Sofia, trocar impressões com ela, deu-me animo e uma força renovada para abraçar novos desafios. Este blog é isso mesmo, um desafio a que me propus inspirado na história dela.

Obrigada Sofia