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domingo, 24 de julho de 2016

O último antes dos 30

Sem pensar muito no calor que se faria sentir hoje, decidi fazer uma caminhada da parte da manhã. Fui até ao Parque verde, local que não prescindo de ir sempre que estou em Coimbra. Ainda não ia a meio e já me arrependia, suponho que às 10 da manhã a temperatura já roçava os 30 graus! Mas nem por isso desisti, é urgente recuperar a forma física, da qual me tenho desleixado nos últimos tempos... 

Cheguei a casa uma hora e tal depois, desidratada e com uma bela dor de cabeça e de pernas! Recuperada do esforço, saio de casa à procura de um sítio calmo para retomar o estudo. Biblioteca, fechada. Faculdade de Economia, fechada. Tentei o TAGV na esperança de encontrar um local, pelo menos, fresco! Não fui feliz na minha escolha, estar dentro do café ou na esplanada da praça teria sido rigorosamente o mesmo. 

Que sorte a minha, um fim de semana de calor infernal, Coimbra deserta (porque está tudo na praia) e a Gui praticamente sozinha em casa e a estudar a esta altura do campeonato!

Se pudesse ao menos recuar uma semana no tempo...  Estava prestes a completar 29 anos!

Não tenho por hábito festejar o meu aniversário com muita gente, gosto muito de convívios e festas, quando são dos outros e por isso quase sempre torço o nariz à ideia de grandes jantares.
Este ano, devido a tudo o que aconteceu, decidi convidar uns amigos para beber um copo e cantar os parabéns à meia noite, nada de especial. 
No entanto, acharam que a ocasião pedia mais, meteram mãos à obra e fizeram, sem o meu conhecimento, o que eu não queria fazer: um grande jantar com a minha família e amigos mais próximos. 

Sem saber de nada ainda lhes dei luta porque insistia em sair da praia, onde estava a passar a tarde com alguns amigos, para ir para Felgueiras onde supostamente jantaria, somente, com os meus pais e avós. 

Os estratagemas para me atrasarem foram mais que muitos e eu não queria, de todo, atrasar-me porque, para além de ser perita nisso, não queria dar razão ao meu pai, que faz sempre questão que eu esteja em casa a horas!

Acho que pela primeira vez na vida, não levei um "puxão de orelhas" pelo meu atraso! 

À minha espera tinha uma pequena multidão, a lançar um "SURPRESA" assim que surgi no patamar. E que surpresa! 




Chorei, tremi, voltei a chorar e dei início à ronda de beijinhos e abraços aos presentes. Seguiu-se uma bela noite de convívio, onde só tive pena de não me poder multiplicar para dar a atenção devida a cada um.

Agradeço aos que vieram de longe, muito longe, para estarem comigo. 
Agradeço aos de perto por terem sido incansáveis nos preparativos e na criação de um cenário incrível. Agradeço, particularmente, à Pi por todo o trabalho que teve ao longo de semanas!
À Tess pelo registo fotográfico que vai virar um excelente álbum.
À minha avó que, atraiçoada tantas vezes pela memória, conseguiu não estragar a surpresa.
Aos meus pais, por terem tornado esta celebração memorável!

Aos poucos (mas bons) que faltaram, pelas mais diversas razões, não se preocupem, estiveram bem pertinho, no meu pensamento.

Para o ano há mais!!



E com este post me despeço do blog por uns tempos. 
Volto em Outubro, darei novidades quando voltar ao IPO. 
Está documentado o que havia para documentar. O pior já passou e desejo, com todas as minhas forças, que os dias difíceis e de luta tenham terminado. 
A resiliência, essa, pode permanecer, é uma boa ferramenta para a vida.


Um bem-haja a todos os que me acompanharam. 
Levo-vos no coração!


terça-feira, 7 de junho de 2016

Dar cabo do Barrabás - Parte 2

Começou a radioterapia.
Depois das voltas e reviravoltas que esta história deu, começou finalmente a segunda parte do tratamento. Já tinha tido uma consulta de radio-oncologia, logo depois de ter terminado a quimioterapia. Nessa consulta fiquei a conhecer a minha médica da radio, também ela, à semelhança da Dra Ilídia, uma querida. Explicou-me em que consistia o tratamento e falou-me dos efeitos secundários. 

A curto prazo podem surgir alguns efeitos localizados, resultantes da agressão dos tecidos irradiados. Tendo em conta que o alvo é a zona torácica, pode surgir inflamação do esófago o que, por sua vez, pode provocar dor, dificuldade e desconforto ao ingerir alimentos, bem como náuseas, e em casos extremos, vómitos. Outro efeito frequente da radioterapia (seja em que local for) são as queimaduras na pele... E para isso só há um remédio, proteger e hidratar. Isto significa duas coisas: a primeira é que posso esquecer os banhos de sol este verão e a segunda é que vou gastar uns bons euros em Biafine, Nívea e protetor solar 50+. É que para além da queimadura que, eventualmente, possa acontecer, há uma pele sensibilizada pela quimioterapia... 
Cansaço, diminuição dos glóbulos brancos, são outras reações que podem ocorrer e que desaparecem com a cessação do tratamento.

A longo prazo é que a porca torce o rabo. Por mais avançada que esteja a Medicina, por muito que calculem, ao milímetro, o local de incidência da radiação, não há por onde fugir: as radiações atingem não só os tumores mas também os tecidos circundantes. Quer isto dizer que, no meu caso, os pulmões, coração, tiróide, mama, tubo digestivo e pele são também afetados pelas radiações. De uma forma muito simplista, a radiação provoca alterações nas células que, um dia mais tarde, podem transformar-se em... células malignas! A longo prazo, o risco de aparecimento de outro cancro nestes tecidos é maior para mim do que para um indivíduo saudável. Certamente, o benefício da radioterapia compensa este risco, caso contrário não seria uma opção. E, apesar de tudo, não deixa de ser um risco... Pode acontecer ou não!

Depois de uma longa conversa com a Dra Carla, fui encaminhada para a sala de tac, para fazer a marcação da área a ser irradiada. Como a radioterapia é um tratamento de várias sessões, opta-se por uma marcação permanente para que, todos os dias, a radiação incida no mesmo local. Ou seja, fizeram-me umas mini tatuagens, 4 pontinhos, 2 na zona axilar e outros 2 junto ao esterno. Quase não se notam e por isso não me aflige que sejam para toda a vida!

Depois desta consulta passaram-se muitas semanas e ontem, 6/6/16, lá voltei ao IPO para ter consulta e tratamento. Na consulta fiquei a saber todos os cuidados a ter nesta fase, o que posso ou não fazer (nada de piscinas, mesmo que esteja um calor abrasador e que essa pareça a única solução!), e o mais importante de tudo, o número de sessões. Vão ser 20, 5 dias por semana, à excepção da semana do S. João, porque vão todos para o bailarico no dia 23! Sendo assim, até dia 4 de Julho vou ter de ir ao IPO quase todos os dias... 
Para compensar esta canseira, os tratamentos são muito rápidos. O tempo de espera é curto, ao fim de cerca de 10 minutos entramos para o vestiário e de lá passamos para a sala de tratamento. À nossa espera estão sempre duas terapeutas cuja função é deitar-me na maca e colocar o meu corpo na posição certa, com ajuda de um molde onde encaixa a cabeça e braços. Este alinhamento demora tanto tempo como o próprio tratamento. Empurram de um lado, puxam de outro e quando finalmente estão os 4 pontos acertados, saem da sala e ficam a ver-me por um ecrã enquanto o aparelho da radiação anda à minha volta. 

Não há nada como ver com os nossos próprios olhos e este é o acelerador linear, o aparelho que emite a radiação.

Duas moedinhas, duas voltinhas e estou pronta para me ir embora! 

O tratamento é totalmente indolor, não causa qualquer tipo de reação de calor ou de vibração. Ah, e também não se fica radioativo como na PET, por isso posso estar com grávidas e crianças à vontade, não represento nenhum risco para os outros. E ainda bem,
porque os meus primeiros "sobrinhos" estão a caminho! :D

Ao fim de meia hora já estou fora do IPO e faço aquela contagem decrescente... Já só faltam 18 sessões!

Para já não sinto qualquer efeito do tratamento, mas também é muito cedo para isso, penso. Daqui a uma semana tenho consulta, para a médica ir acompanhando o processo. Até lá vou estudando (os exames na faculdade estão aí à porta) e vou aproveitar o verão que, finalmente, chegou!