terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Boas notícias!!

Há notícias que caem como mel. Foi o caso das notícias que recebi ontem na consulta com a Dra Ilídia.

Ontem acordei ainda não eram 7 da manhã. Um temporal, com trovoada e tudo, acontecia do lado de lá das janelas do meu quarto e pensei para mim mesma que não seria um bom presságio. Levantei-me com uma neura desgraçada, daquelas que nos levam a tratar os nossos entes queridos do piorio. Ninguém merece aturar-me, a mim e às minhas neuras.

Chegar ao IPO é sempre um tormento. Demoro mais tempo a sair da A3 e a entrar na Circunvalação do que a fazer a A42 toda. Já houve piores dias mas a verdade é que, como sempre, já ia atrasada. Desta vez, quem fez o enorme favor de me acompanhar foi o meu irmão. O primeiro dia de tratamento é muito saturante. É IPO de manhã até à noite.

De máscara posta lá entrei na caótica sala de espera das colheitas. Às 9.30 já estava despachada e sabia que tinha pela frente duas horas de espera até à consulta. Fomos até à cafetaria, para o primeiro café da manhã. Não teve aquele efeito rejuvenescedor tão característico, pelo contrário. Só de pensar nos dias difíceis que me esperavam já sentia náuseas. Li sobre isso e é possível que ocorram náuseas nos dias que precedem a quimio. Não sei se se tratará de algum efeito psicológico, mas pelos vistos acontece e, por momentos, pensei que padecia dele.

Chamaram-me para a consulta e fui encontrar a Dra Ilídia acompanhada de uma jovem médica em formação. Lembrei-me da Bé e de como me orgulho dela por ter conseguido entrar na especialidade de Oncologia como sempre sonhou. É preciso ter estofo e muito amor à camisola!

Levava comigo um CD com as imagens de um exame que tinha feito em Coimbra, uma PET (basicamente é um exame onde nos injetam uma substância radioativa que se vai ligar a zonas do corpo onde existam células com uma taxa metabólica elevada, como é o caso de células tumorais. Assim é possível fazer diagnósticos, controlar a eficácia de uma terapêutica e encontrar metástases). 

Este exame é necessário, bem como o biópsia óssea, para definir o estadiamento da doença. Esta biópsia foi já a Dra Ilídia que realizou (dói "comó carago!") mas a PET foi realizada ainda nos HUC e ficou de ser enviada por correio para o IPO. Como diz a Sofia, deve ter vindo de tartaruga e não pelos CTT, a avaliar pelo tempo que demorou. Demorou tanto tempo que resolvi acionar os meus próprios meios, que é com quem diz, tráfico de influências, e pedi à minha agente secreta que conseguisse o exame para mim sem ter de me dirigir aos HUC e pagar por um exame que é meu por direito. 
No entanto, a Dra Ilídia acionou também os meios dela e ontem já tinha consigo o exame. 
Juntamente com a biópsia, as imagens definem o estadiamento, tipo e duração do tratamento. A equipa médica da Hematologia já tinha reunido e avaliado os exames e decidiram que o estadio do meu cancrozinho é o 2. Cancrozinho não, porque o malvado mede 12 cm. E como tal, no final, vou ter de realizar radioterapia, que é o que se utiliza para massas volumosas e localizadas. Não me agrada, pelos efeitos que traz a longo prazo... mas antes radioterapia que quimioterapia. Sendo assim, há boas notícias! Não são resultantes do tratamento prescrito inicialmente, é mais um ajuste à minha realidade, ou à realidade do Barrabás. 
Não interessa, são notícias maravilhosas! 

Retiraram-me um dos fármacos, o Etoposido. Vou deixar de fazer R-CHOEP para fazer R-CHOP. À primeira vista a diferença não parece ser muita. Mas é. E foi esta diferença que me iluminou e me fez abrir um sorriso de orelha a orelha: a minha quimio passa a ser de um dia e não de três! Para além disso, este medicamento que me retiraram era o causador dos piores efeitos secundários. Aquele medo, irracional, que se tinha apoderado de mim e me fazia questionar "O que me vai trazer de novo este ciclo?" desapareceu, pura e simplesmente, porque a causa também desapareceu. E como uma boa notícia nunca vem só, fiquei a saber que só vou ter de fazer 6 ciclos. Tinham-me dito 8, porque não sabiam, ao certo, o estadiamento.

Li, uma vez, aquela crónica da Marine onde ela conta que uma médica lhe disse "Nós fazemos metade do trabalho. Os outros 50% fazes tu". Receber esta notícia foi como se tivesse atingido esses 50%. Foi como receber uma boa nota num exame, sabendo que a obtive pelo meu esforço e dedicação. A Pi diz que são as correntes de positivismo geradas em torno de mim. Eu cá acho, que no meio do azar que é o cancro, tenho a sorte de ter uma ou duas estrelinhas bem grandes e brilhantes. O que quer que tenha sido, deixou-me radiante. Foi como se me tivessem ligado à ficha e recarregado as energias! :)

Para acabar o dia em beleza (nem parece que estou a falar de um dia passado no IPO), a sala do hospital de dia em que calhei era a sala das camas. Não fosse o IPO um (quase) hospital de luxo, não se faz quimio só em cadeirões, mas em camas também, ah pois! Que bem me soube! Depois de me picarem, montarem o estendal todo para começar a quimio, lá me injetaram um anti-histamínico que ainda não me tinha apercebido que fazia parte da terapêutica. Agora compreendo o sono e a moleza! Adormeci e acordei passado uma hora com a confusão... Tinham derramado um pouco de medicamento de um dos sacos. Foi cortina, foi lençóis, chão, só não caiu em cima de mim, mas também não fazia mal. A enfermeira gritou, literalmente, pelo kit de derramamento e gerou-se um movimento em torno da minha cama que, ao princípio, tive dificuldade em compreender. Mas o perigo está à vista, são medicamentos citostáticos, tóxicos. À enfermeira só lhe faltou tomar banho para eliminar aquelas pinguinhas que lhe caíram no braço. Devo ter assistido aquela movimentação toda só com um olho aberto porque ela comentou, ao colocar novo saco de medicamento, "Tás com uma rabaça!!". E disse-o com a bela pronúncia do Norte.

Posto isto, se acham que neste momento estou a levar a minha tareia quinzenal, desenganem-se. Até vos digo, comi uma bela feijoada à minhota. Eu sei, sou uma gulosa de todo o tamanho. Mas hoje estava destinado ir para o IPO e a minha mãe planeou fazer esta comida bem pesada já que eu não estava por cá. Não tenho enjoos porque estou a fazer dois anti-eméticos, não vá o diabo tecê-las, nem dores de cabeça, nem má disposição. Só uma grande secura da boca (normal), falta de vitalidade/energia e um formigueiro na ponta dos dedos um tanto incomodativo. Mas nem por isso me impediu de espalhar a boa nova! 
E que venham muito mais boas novas para espalhar :D




domingo, 24 de janeiro de 2016

Nem tudo são rosas

Parece que o meu post anterior, tal como o nome do meu blog, gerou opiniões controversas. 
A propósito de pareceres "menos bons" que recebi, venho assim esclarecer alguns pontos.

Sou frontal, como já devem ter percebido. Digo o que tenho a dizer da forma mais clara e simples possível.
Não quero de forma nenhuma "beliscar" pessoas que "interagiram" comigo no facebook, muito pelo contrário. Sou uma pessoa humilde, sinto-me lisonjeada pela atenção que me tem dado, pelos comentários que me têm feito, pelos likes e reações que me tem deixado. Sou-vos grata, do fundo do meu coração, por me ajudarem a atingir o objetivo deste blog. O meu maior apoio vem, logicamente, da minha família e amigos mas também de todos os que me enviam mensagens de coragem. Sim, de todos os que me enviam mensagens a dizer "Não nos cruzamos há anos mas estou a torcer por ti".

A minha forma de brincar com as vossas "interações" não é prepotente, não tem malícia... Porque eu não sou essa pessoa! Aqui transpareço o que sou, com um pouco de humor (foi isso que aprendi recentemente). Quem me conhece entende e alinha, quem não me conhece, entenderá ou não. Devia ter pensado nisso. Mas para além de todas as qualidades que acabei de enumerar acerca da minha pessoa, esqueci-me de referir que sou impulsiva e por vezes precipitada... Ah, e convencida! ;)

O que escrevo é a verdade, é o que acontece diariamente. São constatações de factos. Houve um dia  que recebi tantos pedidos de amizade, de pessoas totalmente desconhecidas, que tive de repensar a minha decisão. Lamento não poder aceitar todos os que enviaram pedidos e espero que o compreendam. O que quero partilhar convosco, desconhecido ou não, está aqui. E por isso criei este blog, para ser público.

A esta hora a minha amiga Pi está a dizer "lá está ela a justificar o que não precisa de justificar". É uma questão de paz interior. Sou assim, não há nada a fazer amiga! ;)

Agora sim, vou dormir descansada, bem preciso... Amanhã é véspera de quimio, o 3º ciclo já está aí à porta! O tempo passa a voar e daqui a nada ando por aí a dizer que matei o Barrabás!

Espero poder continuar convosco nesta luta até que esse dia chegue.

Beijinhos e abraços
Bem-haja


sábado, 23 de janeiro de 2016

100 papas

No dia em que decidi concretizar esta ideia do blog, resolvi partilhar essa vontade com os meus amigos mais próximos. Primeiro havia a necessidade de escolher um nome para ele... "contraLINFOMAção", "Linfoma feito ao bife", entre outros, as opções dividiam opiniões e lá me decidi pelo "Linfoma feito ao bife", pois era o que reunia mais consenso. Tentei, inicialmente, a plataforma (se assim lhe posso chamar) Wordpress, mas não entendia nada daquilo. Sempre fui uma naba nestas andanças e fiquei mais satisfeita quando o Maias comentou que, em tempos, teve a mesma dificuladade. Sugeriu-me que mudasse para o blogspot por ser mais intuitivo. E de facto é muito mais simples, mas esteticamente menos apelativo que o Wordpress. Por falar em estética, um dia destes tenho de tratar de mudar o design desta página... As cores e o formato convencional cansam-me. Se algum entendido na matéria quiser dar uma mãozinha, toda a ajuda é bem-vinda! Se não, quando já não tiver mais assunto para escrutinar, dedico-me a ver tutoriais no youtube! 

Depois da criação deste blog (ou para ser sincera, desde que as pessoas sabem que eu tenho cancro), tenho-me apercebido de alguns factos ou mudanças comportamentais interessantes, quer nas redes sociais quer na vida real. Elaborei uma lista, para melhor compreensão.

10 coisas que te acontecem quando tens cancro

1. Crias um blog para partilhar a tua expriência mas as pessoas insistem em interagir contigo via Facebook. 
Como já desabafei aqui, isto tem sido de loucos. Perdi a conta às mensagens que recebi no FB - inclusivamente de pessoas que não são minhas amigas - e consigo contar pelos dedos da mão as mensagens que recebi através do formulário de contacto que disponibilizei no blog. Mais valia ter seguido a segunda sugestão do Maias, uma página no FB...

2. Sabes que alguém ficou a saber da tua situação quando o número de likes que essa pessoa faz nas tuas fotos de FB dispara. 
Torna-se tão óbvio que não consigo evitar sorrir de cada vez que isso acontece. A sério, é engraçado ver como há um padrão geral de reação. Normalmente esses likes precedem uma mensagem que dirá qualquer coisa como "Fiquei chocado(a) quando soube mas quero que saibas, apesar de não sermos próximos(as), estou a torcer por ti".

3. Curiosos sensibilizados pela notícia fazem likes em fotos antigas e geram uma corrente de likes.
Isso não acontece só comigo, acontece no facebook dos meus amigos também. As fotografias estão lá há anos, nunca ninguém lhes prestou grande atenção. Desde que tenho cancro, os meus álbuns são passados a pente fino. As velhinhas fotos voltam a surgir no feed dos meus amigos facebookianos e eles reparam que nunca as tinham visto. Então comentam e fazem like. Fazem like não, reagem, e enchem-me o facebook de notificações! 

4. Comentam o teu blog como anónimo e não assinam.
Já me disseram que comentar no blog é difícil, os comentários vão parar a Marte. Como é óbvio não utilizo essa funcionalidade  e, por isso, não me apercebi dessa dificuldade, mas confesso que fico contente ao constatar que há gente tão ou mais naba do que eu! Quando finalmente conseguem comentar devidamente, depois de terem andado a apagar comentários e a pública-los como se fosse uma resposta ao próprio comentário deles, não assinam. Infelizmente eu não tenho um dedo que adivinha!

5. Nunca te viram mais gorda mas procuram-te no facebook e adicionam-te.
A partir do momento que o meu blog foi partilhado no FB, os pedidos de amizade não param. Ponderei bastante, aceito ou não aceito. Via que a pessoa até tinha partilhado o meu blog e aceitar o seu pedido de amizade era uma forma de "retribuir", ou ser simpática... Mas ou aceitava todos ou não aceitava nenhum. Resolvi aceitar todos mas a situação tornou-se insustentável. Porquê? Porque o meu feed de FB foi invadido por pessoas que eu não faço ideia quem são!! E, por isso, escusam de me adicionar porque eu só aceito quem conheço. Para satisfazer a curiosidade dessas pessoas - porque as pessoas vão atrás de uma coisa, que é saber como eu era, como era a minha vida, antes de eu ter cancro - tirei hoje uma foto (onde incluí o meu Charlie porque ele dá sempre um certo charme às fotografias) para me poderem comparar à vontade!



Já agora, deixei de ter problemas com a minha careca (tenho mais problemas com o frio que sinto nela)!

6. Descobres quem são os teus amigos.
Próximos, ou não tão próximos, eu tenho mesmo muitos, muitos amigos! 
Há de tudo. Há aqueles que:
- já se sabia serem nossos Amigos e reforçaram-no das mais variadas formas;
- pensávamos serem nossos amigos mas afinal não o são (porque nem sequer quiseram saber da tua situação e não tiveram uma palavra);
- há aqueles que sabes que são teus amigos, são solidários e tal mas preferem seguir o blog e nem sequer nos dão o feedback (se calhar tem dificuldade em submeter o comentário);
- há aqueles com quem nem temos proximidade (diria até que, em alguns casos, há uma certa antipatia...) mas ficam tão sensíveis que te desconcertam com uma mensagem...
- e, por último, há os amigos à D. Sebastião, que são aqueles que regressam de um passado longínquo!
Para todos os meus Amigos, o meu coração é como o meu smart, há sempre espaço para mais um! :)

7. Descobres que as pessoas que te rodeiam são fortalezas
São várias mas há duas especiais e que tenho de referir: os meus pais
A minha mãe raramente desaba. Quando acontece, normalmente numa situação de sofrimento para lá do normal, não a critico, muito pelo contrário. Emociono-me ao vê-la desarmada à minha frente. Sou uma chorinhas, sempre fui, mas agora ainda mais... Quanto à minha mãe, sei que ela recupera rapidamente o escudo!
O meu pai tem um escudo diferente. Sempre foi um beijoqueiro, daqueles que me obrigava a dar um beijinho antes de sair do carro à porta da escola...  Mas agora está pior. Agora é beijinhos e festinhas na cara a torto e a direito. Mas eu sou parecida com ele, por isso não há problema :)

8. Perguntam-te sempre a mesma coisa: "Estás bem?"
Sempre que vem esta pergunta sinto que ficam à espera que eu diga que não. Umas quantas vezes caio no erro de dizer a verdade. E depois penso que o facto de as pessoas saberem que me doi aqui ou ali não resolve nada. Pior, apercebes-te que, quem gosta realmente de ti, sofre mais com o teu cancro do que tu. Por isso, a minha resposta vai ser sempre "Estou bem", "Doi mas nada de especial". E não, não queiram ser perspicazes e perceber se eu estou a mentir.

9. Cancro = poupar dinheiro
Não pagas os tratamentos, ficas isento de taxas moderadoras. Voltas para casa dos teus pais, por isso são eles que pagam tudo. Tens alopécia, o que se traduz na maior fatia da poupança. Passo a explicar: quando se faz quimioterapia não cai só o cabelo, cai tudo o que é pêlo em crescimento. Por exemplo, nunca mais arranjei as sobrancelhas, elas deixaram de crescer (espero que não caiam). O mesmo é válido para o resto do corpo... É como se tivesses feito lazer e ele tivesse resultado! Quanto ao cabelo, não precisas de gastar dinheiro em champôs de tratamento. Já para não falar na poupança de tempo. Não tens cabelo por isso de manhã ficas pronta em meia hora!

10. The last but not the least... Tens um cancro, podes tudo!
És apaparicada por tudo e por todos. Passas a ser o líder em tudo. Mentiria se não dissesse que é fixe, mas cansa ao fim de algum tempo... Basicamente, fazes tudo o que te dá na gana e toda a gente te desculpa porque... Tens um cancro!

É o que vai acontecer com este post. Vão achar-me ingrata, prepotente, com a mania. Afinal mandaram-me mensagem no FB e eu respondi de forma amável... E foi sincero, garanto-vos. Mandem as mensagens que quiserem, quando quiserem, através da plataforma que quiserem. Eu agradeço a dobrar porque sentir o vosso carinho é fabuloso e ajuda-me a passar o tempo enquanto penso na resposta!! :D


Quem não compreende o tom de brincadeira deste post, é parvo e chato. Espero que o compreendam, mesmo!
Desafio quem se indentifica com algum ponto da lista a deixar o seu comentário.

Mas quando o finalmente conseguirem publicar, não se esqueçam... Assinem! 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Quem não arrisca, não petisca!

Ora bem, chegou o momento de publicar a primeira das muitas experiências entre tachos! 
Resolvi, literalmente, meter as mãos na massa e o resultado foi muito positivo. Cozinhar tem em mim o mesmo efeito que tem este blog: entusiasma-me, liberta-me e leva-me para bem longe dos assuntos do dia-a-dia. O mesmo acontece quando nado (que saudades!), quando corro, quando compro um livro e vou toda contente para casa (mesmo que chegue a casa e o meta na prateleira em "lista de espera"). Enfim, não vou enumerar todas os hobbies que produzem boas sensações em mim, só queria deixar claro que isto de cozinhar, procurar receitas novas, ingredientes e combinações diferentes, é uma terapia!

Recorri ao livro "Receitas Deliciosas para Doentes Oncológicos em Tratamento", de onde tirei uma receita do Chef Bernhard Pfister

Wrap de farinha de trigo integral com peito de frango, abacate e amêndoas tostadas

(Foto livro)

Este wrap é ótimo para um jantar leve, ou para levar na marmita de almoço. 
Fiz algumas adaptações à receita. Basicamente tornei-a mais fácil, a nível de medidas, para facilitar a execução da mesma. Por esse motivo, a receita que, de seguida, vos deixo não é uma cópia integral da que está no livro.

Ingredientes wrap:
- 100g farinha integral 
- 2 ovos
- 20g manteiga com sal
- 200mL leite
- Uma pitada de sal

Confecção wrap:
1. Para preparar a massa do wrap, comece por derreter a manteiga. De seguida misture a farinha, o leite, a manteiga e o sal. Adicione o ovo e misture bem. (Para fazer a massa utilizei a bimby, velocidade 4, mas podem utilizar uma liquidificadora, varinha mágica ou uma vara de arames)

2. Unte uma frigideira anti-aderente com um pouco de óleo e aqueça bem. Coloque massa suficiente para um wrap, confeccionando-o como se fosse um crepe. Repita o mesmo para a restante massa (Dá 4/5 wraps).


Ingredientes recheio:
- 1/2 abacate 
- sumo de 1 lima
- 4 bifes de frango (ou o equivalente em peito de frango)
- 1 iogurte natural açucarado
- 1 mão cheia de amêndoa laminada
- salsa picada q.b.
- sal e cominhos q.b.

Confecção do recheio:
1. Comece por ferver o frango em água salgada (10 min). Deixe arrefecer e corte em tiras finas (podia ter usado a bimby para desfiar o frango mas optei pelo Turbochef da tupperware, um picador incrível).
2. Corte o abacate em cubos pequenos.
3. Misture o frango, o abacate, o sumo de lima, o iogurte, a amêndoa, o sal e os cominhos (este condimento dá um toque essencial ao recheio)

Por último, recheie o wrap, enrole-o e sirva de imediato. 






Acompanhe com uma salada variada e finalize com um delicioso Duchaise, disponível numa loja Rosa Sousa perto de si!

Bom apetite :)



Cancro com Humor

Este post deveria chamar-se "Não há coincidências - Parte II". Mas como já há por aí muitas "Partes", vou-me cingir aquilo a que realmente este post diz respeito: Cancro com Humor.

O meu amigo Kiko, que é também ele um ACC (Amigo Com Cancro), sugeriu-me, há umas semanas, que visitasse um blog, Cancro com Humor. Gostei imenso do blog. Com um toque refinado de "safadeza", como diz a autora, consegue desmistificar por completo este tema (ainda) tabu. Não sendo uma seguidora assídua de blogs (ironia das ironias) comecei a seguir o blog da Marine.

A Marine teve cancro há 10 anos atrás. Curiosamente, um linfoma no mediastino. O cancro voltou a entrar na vida dela, desta vez fazendo-a passar por ele no papel de cuidadora. Uma história do caraças. Mas que ela recorda com... Humor! Uma combinção improvável, mas irresistível!

Há uns dias atrás comecei a seguir a página de facebook da Marine e deparei-me com os seus primeiros vídeos. Depois de umas boas gargalhadas resolvi mandar-lhe uma mensagem. Fiquei fã.
Entretanto a "tia" Irene ligou-me a falar da palestra que a Marine ia dar hoje na Casa Ronald Mcdonald. Disse logo que sim. Convidei a minha prima Verinha, sempre disponível, e a minha mãe que, com muita pena minha, não podia ir. Lá foram as 3 da vida airada para o Porto, mais precisamente para o Hospital de São João, cujo perímetro inclui a Casa. Esta instituição/organização é incrível. Extremamente bem decorada, com tudo o que é suposto haver numa casa, acolhe famílias carenciadas, proporcionando aos familiares dos pequenos doentes todas as comodidades que uma casa pressupõe e permitindo que acompanhem de perto os tratamentos, sejam eles no IPO ou no S. João. 
Agora sei para onde vai o troco do meu menu Double Cheeseburger com extra queijo... Sim, vai para aquela caixinha onde nunca vi ninguém colocar moedas!

Nunca me passou pela cabeça conhecer a Marine pessoalmente mas a oportunidade surgiu e, como tinha gostado tanto dos vídeos, achei que não me ia arrepender de assistir à sua palestra. Não só não me arrependi como superou todas as minhas expectativas. Confesso que hoje não tinha grande vontade de ir... O "coiso", ou Barrabás, resolveu fazer "cucu"... Mas já tinha tudo combinado e fiz o esforço. Ainda bem que o fiz. Hoje aprendi várias lições, entre elas a "Vale sempre a pena sair de casa, mesmo que tenhamos um cancro a fazer-nos a vida negra", não fosse o cancro um "excelente educador".

A Marine é uma pessoa fantástica. Bem disposta, com uma alegria contagiante, é daquelas pessoas com quem criamos empatia ainda que não tenha havido contacto verbal direto. Incitou o público a participar na palestra e respondi a muitas das suas questões em surdina. Não gosto, nunca gostei, de falar para muita gente. Sei que coraria assim que me atrevesse a fazê-lo e escolhi ouvir as respostas dos outros. Felizmente a plateia era uma plateia ativa. Relatou a sua experiência com muita piada: pôs-me a rir e a chorar. Contive-me várias vezes para as lágrimas não me caírem. Como ela diz, "É da quimio", "os medicamentos deixam-me alterada" e com "as emoções à flor da pele". São boas desculpas! Mas também sorri e ri muito por detrás da minha melhor amiga, a máscara verde.
No final houve tempo para fotografias ao estilo da Ellen DeGeneres e selfies com a protagonista Marine. Ganhei o dia com a breve conversa que tive com ela e ainda ganhei um abraço. Dos verdadeiros.




Obrigada Marine por esta tarde excelente que nos proporcionaste. 
Continua com o teu trabalho maravilhoso, com o teu sorriso, energia e presença que tantos Carecas Power, como eu, inspira.
Bem-haja!



Vídeos da Marine: