sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Natal quentinho quentinho!

Ufa! Finalmente terminei de responder aos inúmeros comentários e mensagens que me foram deixando ao longo do dia. Sei que não vai ser sempre assim, tenho noção que esta afluência se deve ao impacto provocado pela notícia, pela natureza dela.

Funciona mais ou menos como as visitas que recebo. Depois do meu primeiro ciclo de quimio esta casa entrou numa roda viva. Toca a campainha, toca o telefone, o cão ladra, a minha mãe pergunta lá de dentro se alguém abriu a porta, o meu irmão confirma e recebe as pessoas ao mesmo tempo que atende o telefone. O Charlie fica doido porque adora ter convidados (especialmente se os convidados ficarem para o lanche) e eu, sabendo que precisava de repousar - tinha feito uma punção lombar antes de ter alta no IPO - não conseguia recusar as visitas.
A Pi diz que eu gosto de viver no limite. Eu soltei uma gargalhada quando ela me disse isto mas, mais uma vez, tem a sua razão. Não devia mas deixei que, quem quisesse, me visitasse nessa altura mais crítica. A mim fez-me bem ter pessoas novas e diferentes a toda a hora, já bastava não poder receber quase visitas nenhumas no internamento; Por outro lado, sinto que há necessidade de me verem, em carne e osso, para acreditarem que estou realmente bem.

Apesar das vantagens que as visitas me poderiam trazer, num desses dias com mil visitas agendadas, fui obrigada pela Joana a abrandar o ritmo. Não sei se foi a Joana médica ou a Joana amiga que falou... Qualquer que tenha sido a Joana (provavelmente foram ambas), a necessidade de repouso absoluto ficou bem clara. Tinha passado uma noite péssima, com dores, ansiedade e pensamentos menos positivos, que surgem no desespero de querer dormir e não conseguir...
Logo pela manhã a Joana veio cá a casa ver-me. Mediu-me a tensão, auscultou-me, fez-me perguntas e conversamos um bocadinho. A minha amiga é daquelas pessoas que tem a capacidade de nos acalmar só pelo seu tom de voz, estão a ver? Passado um bocadinho voltou a medir-me a tensão, já tinha baixado. E nem foi preciso tomar nenhum ansiolítico!
Descansei durante a tarde, descanso esse que só foi possível ao colocar o telemóvel em modo avião. Faz de conta que fui viajar!! :)

Ao fim da tarde estava bem melhor e ainda bem porque era noite de Natal. Arrastei-me até à sala de jantar e consegui, pela primeira vez desde que tinha vindo do IPO, fazer uma refeição completa à mesa.
No dia seguinte estava ainda melhor. Tinha dormido como um anjo e acordei com uma disposição fantástica. Para além disso tinha recuperado o paladar a tempo de saborear os doces tão típicos desta altura do ano. Ainda por cima estava um sol delicioso!!

Foi um Natal bem quentinho, principalmente pela ternura que me chegou de todos os lados. Foi um Natal especial e diferente. O próximo Natal vai ser um Natal como foram todos os outros ao longo destes anos. Com a diferença de que vou olhar para trás e vou recordar este dia com a satisfação de ter vencido uma batalha nesta guerra que é o cancro.

Não é a quimio, é o cancro.



8 comentários:

  1. Olá Sofia! Fico muito feliz por saber que a minha simpática, humilde, perspicaz e boa aluna, afinal também é uma guerreira !!!!

    Parabéns pela sua coragem, e por este blog, que tenho a certeza de que ajudará muitas, mas mesmo muitas pessoas :)

    Beijinhos grandes!!!

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  2. Olá Margarida!
    Um grande beijinho para esta força da Natureza escondida numa capa de suave e terna candura. Tens toda a nossa força positiva, minha e da minha família e que nos continues a mostrar e a ensinar a todos o quanto é importante dar valor ao que verdadeiramente importa. Um grande beijinho da Filipa (irmã da Raquel).

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    1. Olá Filipa!
      Obrigada pelas palavras e carinho contido nelas. Sei que posso contar com todos vós!
      Um grande beijinho :)

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  3. Ao ler a parte do recuperar o paladar recordei o teu comentario aos bolos da tua mae AI QUE SAO TAO BONS E ELA NAO OS PARTILHA COM NG SO CONNOSCO!
    Vais recuperar o teu fantastico sorriso e vais voltar a ser a Guida que toda a gente adora!!!

    Beijo enorme Osvaldo

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  4. Véspera de Natal... Confesso que me custou despedir de ti nessa noite, estava habituada a ver te cheia de energia e nesse dia fui embora desolada, foi daqueles momentos que ficamos sem saber o que fazer, dizer! Mas já passou, para o ano estaremos novamente juntas a festejar o Natal e esse será ainda mais quentinho<3 Mara

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  5. Verdade Mara, foi uma despedida difícil... Obrigada :)

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